No século XX, o paradigma da racionalidade entra em crise, arrastando consigo uma crise maior, mais genérica, de Estado de razão, de sujeito, de identidade, de valores, de poderes. Essas crises, via de regra, repercutem no sistema educacional e na formação do professor, exigindo deste uma mudança de atitude,e um ensino-aprendizagem com um novo olhar sobre o mundo. Um olhar neutralizado das razões dogmáticas; um olhar crítico, portanto, uma razão crítica; um olhar abrangente, mas não absolutizador; um olhar que vislumbre esse novo sujeito cultural e interativo com o meio e com o objeto do conhecimento; sujeito dialogal, que venha a valorizar e a elucidar as vivências e as práticas do cotidiano em relação direta com a ciência. Tarefa que exigirá desse professor a sua inserção na sociedade do conhecimento, na era da tecnologia e da pós-modernidade, ou seja caminhar em busca dessa nova razão: a transculturalização.De acordo com MORIN (1998)"A teoria do conhecimento de Descartes dizia que: face a um problema complicado, é preciso dividi-lo em pequenos fragmentos e trabalha-los um após o outro, dessa maneira, foi instituida a separabilidade das ciências, ou seja: para conhcer é preciso separar."Assim as Teorias do conhecimento no final do seculo XIX e durante o século XX, nos mostram a possibilidade da cosntrução do projeto do sujeito moderno, através de um conhecimento circunscrito e fracionado. Contudo nos fins do século XX novos paradigmas rejeitaram a fracionalidade do conhecimento, dentre eles a teoria da complexidade, defendida por Edgar Morin. Essa teoria aponta para uma nova abordagem da compreeensão de mundo e dá um novo sentido a Ação.
Para o filosofo: " a ideia de ordem do universo como produção da perfeição divina, passa a ser descartada, segundo Laplace " a ordem do universo funciona sozinha, é autoconsolidada. A ciência não admitia contradições. Assim a lógica passa a ser o elemento de eliminação de equívocos pelas leis gerais e pela dedução. A teoria da complexidade vem desmascarar a ideia de ordem , da separabilidade e da lógica e, aponta para uma racionalidade (aberta)em que nada está acabado, nada e absoluto e onde o conhecimento é pertinente. Porém "esse conhecimento so se tornará realmente complexo quando a educação torná-lo evidente."(MORIN, 2002,p36).As teorias do conhecimento, cosntruidas a partir de um novo momento histórico vão acompanhando as mudanças e vão dando suporte epistemológico para a compreensão desse novo sujeito emergenciado e multiculturalizado que se apresenta no cenário mundial. A materialização desse novo sujeito requer de fato, mais estudos e pesquisas para que possamos compreender por quê para alguns, o ideal de sujeito moderno se desfez. Nesse novo cenário ecconômico ( pós-fordista)e multicultural e, diante de um novo modelo de Estado, paulatinamente são extintos os direitos dos cidadãos visando atender as exigências de uma sociedade global, de uma nova fase do capitalismo caracterizada pela internacionalização do capital e pelas inovações tecnológicas, telefonia, rede de computadores, tv a cabo, etc., que contribuem de forma cada vez mais acelerada para o avanço dos conhecimentos e facilitam o trabalho, o tempo, diminuem despesas, encurtam distâncias, mas reduzem a participação de recursos humanos na produção em larga escala. A crescente demanda tecnológica provoca um (des) envolvimento na sociedade do conhecimento da informação e da comunicação, exigindo assim que os indivíduos estejam permanentemente atualizando-se, reciclando-se, inovando-se. E, como consequência cosntata-se a diminuição crescente das possibilidades e das oportumidades, sendo estas cedidas e ocupadas por um número reduzido de pessoas, pertencentes a uma camada social privilegiada que vem dominando de maneira sutil, como uma revolução silenciosa, a produção do conhecimento e dos bens materiais.
É importante se pensar numa saida para esse caos, provocado pelas mudanças tecnologicas comunicacionais, informacionais presentes no seculo XXI.A quem cabe esse encargo? Aos sociológos? Aos filósofos? Aos pedagogos?...É preciso que os sujeitos culturais re-eduquem o olhar, para que possam voltar a contemplar a natureza, valorizando as subjetivações que foram embrutecidas pela modernidade. Educar o novo olhar, não seria ir descobrindo pontos e recantos que o cotidiano e o costume da visão, impediram de ver o novo no velho?
Porém, como re-educar o olhar diante das incertezas provocadas pelas demandas sociais?
E, se as certezas são provisórias, o que dizer das dúvidas?
Essas indagações nos levam a desvendar os elementos contraditórios que permeiam as vivências, os fatos e as normas postas no cotidiano dos sujeitos sociais e que nos fazem acreditar que não há um método puro que norteie o caminho, mas um diálogo eclético entre as ciências- a interação, a interpretação, a integração das ideias, os conceitos e as metodologias, tendo como ponto de partida as incertezas.Será?
Fontes bibliográficas
ARANHA - Maria Letícia de Arruda- Filosofia da Educação. Editora Moderna, São Paulo, 1996.
COCCO,Giuseppe- Nova qualidade do trabalho na era da Informação e Globalização na era do conhecimento( org) Helena MM e Sarita Albagli, R J. Campus, 1999.
MORIN, Edgar, Os sete saberes necessários a educação do futuro 5ª Edição Saõ Paulo Cortez, 2002.
_____________ Textos apresentados - publicação de ensaios THOT da Associação Palas Athenas, São Paulo, 1998.
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Texto: Maria José Galdino
