Matam o homem, mas não os seus sonhos.
A Lei não fala porque se ela falasse e ouvisse a todos com eqüidade, o mundo teria outro olhar sobre sua aplicabilidade.
A justiça não ouve não vê e não fala
O mundo continua gritando, clamando por ela, mas ela não dá ouvidos;
Que mulher é essa que é tão estudada e que muitas vezes não serve para nada?
Fazer justiça com as próprias mãos é uma prática bem ultrapassada, quando ainda não existiam leis de combate ao crime com mais rigor.
Fazer justiça com as próprias mãos?
Muitos cometeram essas atrocidades; a eficácia de uma cabeça encapuzada livra o criminoso, mas não livra sua culpa.
Porque fazer justiça com as próprias mãos é não reconhecer que o homem evoluiu do paleolítico ao tecnológico.
Acontece que algumas cidades ainda vivem no primitivismo e desrespeitam as regras de convívio social: intimidam, ameaçam, reprimem, oprimem, aterrorizam. Há pessoas que são amadas e odiadas, Manoel Matos era uma dessas. Porém ele foi mais amado e isso ficou provado com a multidão que estava lá, no seu velório.E apenas um grupinho bem insipiente o odiava.
Manoel era de uma personalidade forte, um idealista convicto de que pela luta se alcança os objetivos e lutou incansavelmente. Sua vida foi curta, mas com muita intensidade. Deu bom exemplo aos filhos e a sua família. Mas, não teve chance de se defender pelo objeto do seu estudo, as leis . E sub-repticiamente foi assassinado sem ter tido tempo de preparar sua defesa.
A honra faz um homem!
E um grande homem se conhece pelos ideais...Manoel Mattos os tinha entrelaçados com a justiça, a igualdade de direitos, a liberdade de expressão, uma democracia verdadeira e ver seus filhos, bem como os filhos de todas as mães e todos os pais, crescerem sadios e felizes. Mas isso lhe foi podado.
O que faz um capuz além de esconder o rosto dos que querem fazer justiça com as próprias mãos.
As Instituições precisam se reciclar e atuar de maneira mais honesta possível, pois que o mundo pertence a todos e todos têm o direito a um lugar ao sol;
Precisamos pousar um novo olhar sobre o mundo e descobrir através da historia coisas atuais, acontecimentos estarrecedores e assassinatos de homens ilustres e brilhantes que deram o seu sangue pelo seu povo na luta pelos ideais.
E a justiça é cega quando não vê a barbárie, a impunidade, a injustiça, a iniqüidade.
E continua justa.
È difícil, mas ainda é possível um mundo possível de se viver: Um mundo utópico, ucrônico...
Manoel estará vivo no inconsciente coletivo.
domingo, 25 de janeiro de 2009
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
“O olho espanta-me”
“A seleção Natural é cega” (sic) Dr. Jacques Monod, assim como o é o acaso. “Só enxergamos bem com o coração o essencial é invisível aos olhos - Grafou Antoine de Saint-Exupéry - em sua fábula, “o pequeno príncipe”(1943), essa frase foi linda no mundo inteiro; Darwin na sua autobiografia escreveu: “O olho espanta-me.” Logo ele, pai do Evolucionismo! Mas não me surpreendo com tal colocação, porque "os descendentes dos “circuncidados” continuam gerando filhos com prepúcio, apesar desse fenômeno ocorrer há mais de 3 mil anos," o que presenciamos é uma espécie de seleção, pela Lei natural dos homens, visivelmente tida como um ritual celebrado entre hebreus.Quanto à explicação não deixada sobre o que intriga no olho dos seres, pelo defensor da seleção natural, a ciência moderna atesta a existência de fotorreceptores distribuídos na cavidade ocular ligados ao nervo ótico, que nos dão a sensação de capturar imagens. E como disse Domenico Ravalico, “esses fotorreceptores estão presentes em todos os seres vivos que se movimentam em busca do alimento para a sua sobrevivência na terra.”
Porém, enxerga-se com tudo o que há de sensível: pele, músculo e cavidade ocular... Até os seres mais abissais possuem sensibilidade para enxergar e se proteger do mal e/ou se aconchegar ao bem ao bom, quando for o caso ou o acaso.
Grandes homens da historia da humanidade questionaram o olhar. Leonardo da Vinci criou o mistério de Gioconda, e vem dele o axioma “os olhos são a janela da alma...”; A clarividência, a terceira visão ou terceiro olho se fará visível magia elemental, diante daquele que tiver o poder de enxergar; quando estamos apaixonados dizem que nossos olhos brilham; quando tristes viram olhos de peixe morto; Narciso se apaixonou por si quando se viu refletido no lago; os olhos também são “o espelho do mundo”já dizia o criador de Monalisa, mas não precisamos ter exatamente olhos para enxergar. Shopenhauer nos fala de um corpo tornado visível sob uma determinada ótica.
Mas, nem tudo que enxergamos como verdadeiro é real. Há aqueles que enxergam por nós: institucionalizam o olhar, ampliam nossos horizontes visuais e dominam nosso intelecto, nos ideologizam na perspectiva da alienação da imagem ideal. “Nem tudo o que parece ser o é.”
Não precisamos ter olhos para enxergar, talvez seja por isso que o espanto de Darwin necessite de uma explicação científica, ou seja, exija um novo olhar no interior da visão de quem não o possui.
Olhar nem sempre é enxergar. Thomas H. Huxley (biólogo britânico), século XIX, certamente ficaria admirado com o Projeto ARGUS que aposta na evolução de seres em outras dimensões, porém, diante da sua grandiosidade, ainda não se compara ao ADN (Acido desoxirribonucléico ) descoberto em meados do século xx, através de um raio x, por cientistas da época; e com toda certeza, o mundo está fascinado com a miniaturização dos chip’s, com a potência do olhar dos GPS, olhar cego que se remete a localização espaciais de imagens por satélites, através dos quais hoje podemos ver o quase impossível. Assim como as Telecâmeras que nos vêm, mas são absolutamente cegas, com cega é a “força” da vontade de viver, na visão de do autor de “o mundo como forma de representação.”
Numa perspectiva freudiana há um amor cego e que ao mesmo tempo cega. Jane Japiassu revela esse estágio, adaptado por mim para o cabimento neste texto, quando reescreve a historia de Afrodite e Psiquê: Em seu conto poético Afrodite inventa o sentimento de posse, pelo fato de ser egoísta. A posse que deixa o amor enfraquecido e que no século XIX infernizou os pacientes de Dr. Freud.
Conta a lenda que Eros pretendia ficar com o amor das duas, (Afrodite e Psiquê) assim ele seria o inventor do amor segredado, escondido, indefinido, simulado, camuflado dentre outros adjetivos.
Porém Psiquê vinha aceitando o amor sombrio de Eros, nas caladas da noite recebia o pouco e dava de tudo. Eis que um dia, depois de muitos outros, Psiquê cansou da mesmice e da hipocrisia de Eros, decidiu enxergar o que estava à sua frente, mas que não admitia; decidiu “ver” e por outro olhar sobre Eros, que nem largava a outra nem a assumia socialmente.
Assim uma noite enquanto Eros dormia, ao acender uma vela, o foco iluminando seu corpo, fez Psiquê enxergá-lo com outros fotorreceptores. {grifo meu} Percebeu sua submissão; entendeu que Eros não iria abdicar do amor de Afrodite, por covardia e por medo de ser feliz. E, tendo essa compreensão, Psiquê o abandona para sempre.
A sua vontade de viver e ser livre era mais cega que o seu amor por Eros. Quanto a Eros, a platonicidade de um amor nutrido pela própria mãe é de se perfurar os olhos, logo, seus fotorreceptores não enxergaram a realidade real. Finalmente, Eros e Afrodite seguiram ofuscados.
O olho espanta-me! Disse Darwin no século XIX. Na sua época não poderia dizer diferente. Um século depois da criação da teoria evolucionista, 1977 precisamente, as Edições Paulinas - Editora Católica - lança um livro cujo título é: “a criação não é um mito” onde o autor Domenico Rivalico nos faz perceber que hoje em dia o olho é completamente cognoscível.
Aproveitando o espanto de Darwin e o estudo do autor do livro, fiz a seguinte analogia: Muitas vezes somos comparáveis a seres deprimentes, solitários, peçonhentos, nocivos, a vermes que se movimentam em lugares asquerosos da terra; seres traiçoeiros, como as piranhas que devoram o boi e que apenas atravessa o rio para beber água.
Outras vezes nos assemelhamos a seres unicelulares, como a minhoca, que não tem olhos, mas enxergam, assim como nós humanos ela possui milhões de células vivas e fios condutores que permitem a sua locomoção na umidade dos terrenos e de subterrâneos; Somos comparados a seres que vivem da ponta de um filamento fotossensível e não podem entrar em contato direto com a luz solar, sob pena de não poderem mais se alimentar; seres que vivem por um fio como a Euglena.
Somos também associados a moluscos seres sem luz, mas de luz como a concha de Pecten e suas dezesseis pérolas com dezesseis lentes, são olhos com retina e nervo ótico que levam mensagem ao sistema nervoso e por isso percebe a luz.
Somos comparáveis a insetos, a uma mosca, por exemplo, com os seus fotorreceptores em forma de mosaicos.
Do nosso ancestral herdamos além de tudo os olhos. Dos olhos do antropóide sai um fio condutor que é um nervo ótico que lhe dá a visão completa das imagens, associados a uma telecâmera de TV
Temos olhos de escorpião com raios luminosos e côncavos recobertos por células vivas, se não ficarmos atentos seremos atraiçoados;
Somos semelhantes também aos contraditórios seres abissais, que não necessitam só da luz própria do seu olhar, mas de verdadeiros faróis sobre os olhos para poder enxergar e que, mesmo nas profundezas dos oceanos, se escondem nas trevas e apagam os faróis, sem os quais seriam cegos. Assim somos nós às vezes para enxergarmos o óbvio precisamos de faróis. Muitas vezes nos fechamos na ignorância de nossas trevas para não ter que enxergar a verdade insofismável.
Darwin tinha razão. É que mesmo depois de toda descoberta da ciência sobre o olho, o olhar ainda intriga...
domingo, 26 de outubro de 2008
A Linguagem de Corpos Multiculturais
Minhas Crôncas do Portal Gramame.com
Que corpo é esse que não cessa,
e mesmo quando morto existe?
Que vive e se perpetua nas dimensões espaço e tempo?
Que evolui, aperfeiçoa-se e transmuta-se?
Corpo que fala quando silencia...
E quando calado sentencia.
Que corpo é esse que camufla a própria imagem?
Que, simula, gesticula e que é linguagem?
Que corpo é esse que sensível capta tudo?
Corpo frágil que ao outro contamina
Que recria, reproduz e que inventa
Corpo que se movimenta,
deita e rola, faz e acontece...
corpo jovem que envelhece, que se rende à gravidade.
Esse corpo epicurista exaurido de prazer
e de sensibilidade.
Originário do africano.
E o corpo de Freud edipiano,
no corpo incestuoso de Jocasta
Cinematográfico corpo de Sofia.
Corpo da libidinagem,
e de Calígula `a sacanagem,
que ultrapassa as fronteiras da linguagem.
O corpo da cilada...
E o indelével corpo da criança estuprada.
O criminoso corpo de Lombrozzo
Deplorado corpo em assalto,
Corpo em combate...
no calor da trama do corpo rodrigueano
e o romantismo do corpo dramático,
shekspeareano
Corpos divinos de Dante e Beatriz
Demoníaco e sedutor corpo de Lilith
a mulher que Adão não quis
e o tão igual provocador: Leila Dinis
O corpo negro de Otelo,
corpo belo...
da gueixa amarela que sustenta seu amado
Dionisíaco corpo de Elis embriagado.
O corpo queimado de Galdino
Misterioso corpo de Carlinhos raptado.
Corpos de Chernobyl,
por herança deformados.
Que corpo é esse que perpetua a humanidade?
Corpo do bem?
Corpo da maldade?
Corpos detentos legitimados
Duros corpos da Lei iníqua
Corpos de arena.
“Ius primae noctis”
a Primeira noite da romana,
cedida à flor do corpo ao seu senhor
e o corpo enforcado de Judas, traidor.
Corpo paleolítico de Vênus Lespugue,
de um nu abrasador
E da bela Afrodite a deusa grega do amor.
Corpo de Camilo que preso à relação
libera à Ana Plácido
o seu amor de perdição
Corpos do adultério
Corpo da traição.
Corpos de Lesbos em sodomia
E o corpo de Onan em rebeldia.
A volúpia que adolesce
no Eros de Boticelli.
Cabeça sem corpo de presente a Salomé
E o corpo bovariano de Fleubeart
Corpos das virgens assassinadas,
e da pureza a essência retirada
e no perfume
de Patrick transformadas.
Corpos revolucionários de Yoko e John Lennon.
E corpos suicidas de Jim Jones, vaidosos e narcísicos,
que se envenenam.
Corpos crédulos dos ex-votos, prometidos e engessados
corpos fragmentados.
O Corpo Sacro de Vojtyla.
Objeto, sex-appeal.
Balzaquianos corpos que desnudam olhos de um tempo juvenil.
Casto corpo de convento
Corpo de cruz e sofrimento,
Sedento de fome... de miséria.
Corpo pobre na opulência
Decente corpo da luxúria;
da injúria
E o corpo vil da violência.
Dos picos corpos gelados
E no fundo do mar jazidos
Corpos de bruxas queimados
Corpo do Cristo ferido
Lutam p’ra se defender
do julgo imperioso
Da cúria do glorioso e implacável poder.
Corpos que subvertem
a ordem capitalista.
Semente da flor de Hiroxima
corpos do Vietnam
e de mulheres encobertas com a burca no Irã,
Impedidas do biquíni, da calcinha e do batom
e da renda delicada do bico do sutiã.
Corpos fundamentalistas
Corpos puros, arianos:
O protótipo do corpo endeusado
Corpos sem nomes, desvalidos
Corpos hitleristas experimentados,
Repelidos corpos de judeus assassinados
e corpos perfeitos selecionados.
Napoleônicos corpos decapitados
e capitalizados corpos explorados
O corpo do escravo
O escravo do corpo
Corpos coloridos da TV
E corpos de olhos que não vê
Que se toca e não se sente,
um corpo tetraplégico dormente,
no teórico britânico Stephen Hawking
a geniosa mente de Stanislaw
e um corpo enjaulado
na jurisprudência de Nicolau
O Sonoro corpo da arte de um Mozart
E a sinestesia do “Atleta” de Picasso
Corpo medido da Vinci,
corpo de régua e compasso.
Um corpo nômade é sedentário,
o corpo literário de Pessoa
no corpo cansado do ermitão.
E no Rio da Candelária corpos mortos sem razão.
O Corpo de Deus no niilismo
frutos da imaginação
Aterrorizados corpos das Torres
atirados do alto em chamas
soterrados corpos dos escombros,
Alienados e massificados,
prostituídos e socializados corpos na lama.
Corpos que de corpos vivem, canibais
e mesmo que mortos
a natureza mesquinha
deles não se desfaz.
Pós-modernos, midiáticos,
saudáveis corpos viris dos teen-eges.
E a decrepitude de corpos outrora desejáveis.
viciados corpos sociais
“Vitiis, nemo sine nascitur”
corpos multiculturais,
benditos e sa (g) rados corpos dos mortais!
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
Minhas Crôncas do Portal Gramame.com
18-08-08 às 10:08h
O Escólio
Anotações de encontros e de reuniões são como apêndices de livros, a gente quase nunca ler. Mas, revendo minha pasta do VI Congresso da SAPIENS de 2007, encontrei esse escólio, que escrevi durante a conferência do Professor Dr. Moacir Gadotti , no qual me arrisco a fazer algumas interpolações. O educador apela para uma educação com politicidade, pois acredita que se a sociedade vai bem no transporte, na saúde, na habitação, no emprego... a educação também irá bem. Longe de ser uma escoliasta, minha intenção aqui é divulgar aquilo que considero pertinente para o momento.
É interessante fazer uma releitura:
O mundo atual tem nos apresentado vários desafios e tudo é visto numa abordagem complexa. E preciso pensar numa educação inteirada à outros sistemas.
Precisamos mudar a forma de aprender e de construir conhecimentos e, na atualidade,
o conhecimento é pluralizado é não –linear.
Precisamos também desconstruir o paradigma do pensamento único e eliminar a dicotomia que fragmenta o conhecimento holístico, respeitar a pertinência e pensar na pluralidade de realidades e de razões.
Precisamos mudar a forma de fazer políticas públicas com olhares no século XXI, as políticas publicas dos séculos passados não nos servem mais.
Nossas escolas ainda adotam posturas do século XIX e isso é inaceitável.
Os jovens de hoje têm outras mentalidades, têm outras concepções do que seja um professor e do que sejam conhecimentos.
Precisamos encontrar formas de organizações que não excluam as pessoas mas que cuidem delas; “É preciso saber cuidar” disse Leonardo Boff. “ Vamos cuidar das pessoas” disse João Paulo, atual prefeito de Recife-PE.
Precisamos respeitar a diversidade porque a educação atual vem criando pessoas acéfalas, com valores estranhos à humanidade. Presenciamos acontecimentos que nos deixam boquiabertos, inconcebíveis de aceitá-los como ações de humanos...
Retrocedemos ao século XVIII onde os governantes mandavam enforcar e esquartejar criminosos e traidores, para servir de exemplo, hoje não precisamos mais cometer crimes para sermos decapitados, pois profissionais liberais que juraram salvar vidas e curar pessoas se encarregam dessa truculência, quando não, são adolescente irracionais. Ai, eu costumo dizer que a falta da educação doméstica favorece ao aparecimento de gerações de bárbaros.
Que tipo de sociedade, os governantes pensam para os jovens, em sua grande maioria sem ideais, sem perspectivas, sem esperança e sem sonhos?
Precisamos, portanto mudar a forma de educar e realizar a inclusão social concomitante a inclusão digital.
Precisamos entrar no bom combate à desigualdade de direitos e lutar pela equidade, respeitando as diferenças e não só pensarmos como também fazermos políticas afirmativas e eliminar as discriminações com negros , crianças, idosos, especiais...os marginalizados da sociedade
Tratar igual os desiguais é injusto é preciso respeitar os limites sem depreciar
Precisamos de ações que mudem o mundo opressor
Precisamos mudar os poderes que oprimem
Precisamos fazer uma “ucronia’
O neoliberalismo transformou o mundo num grande mercado onde tudo é medido
e nos reduziu a meros consumidores da produção globalizada;
Ignorou as instituições públicas, os partidos políticos, as associações e os sindicatos.
O neoliberalismo nega o sonho e a utopia, ou seja, não admite que vislumbremos um mundo diferente do estabelecido;
O neoliberalismo não nos admite pensar na ucronia que seria fazer o que ainda não se fez num mundo possível de se viver, fazer diferente com a educação, a saúde, o transporte, a habitação e com o povo.
Os políticos falam muito em mudança, parece até que o que nunca é suficiente ou nunca encontram a forma certa de administrar, mas até agora não justificaram objetivamente essa mudança.
É preciso mostrar o que está por traz da opressão
Precisamos formar cidadãos críticos e não meros reprodutores do sistema de dominação, como se fosse a melhor opção existente.
Precisamos desconstruir essa lógica do imutável, que sustenta a ideologia burguesa desde a acumulação primitiva do capital nos séculos XV e XVI.
Por isso precisamos mudar,
Mudar significa democratizar a educação de qualidade;
Democratizar o conhecimento informacional para que todas as crianças, jovens e adultos tenham acesso público e gratuito.
Mudar significa ainda garantir a formação continuada e em serviços, de professores, para que possam educar com novos olhares entrevendo a auto-sustentabilidade como uma saída para o futuro do cidadão do mundo.
Precisamos reinventar novas formas de poder, novas relações sociais.
Precisamos realizar mudanças e construir novos modelos: econômico- político- social e cultural, para a sobrevivência das categorias oprimidas, uma vez que as novas formas de empregos geram uma sociedade excludente.
Os paradigmas clássicos não têm soluções para os problemas atuais e não têm respostas para as perguntas do século XXI.
Construímos um modelo de civilização que não deu certo, por isso precisamos desconstruir os paradigmas que foram forjados pela sociedade clássica.
Precisamos “mudar o mundo “ disse o Educador Moacir Gadotti, , no VI Congresso da SAPIENS/2007 “não se muda o mundo sem mudar as pessoas”.
E “não é possível mudar o mundo sem tomar o poder.”
O Escólio
Anotações de encontros e de reuniões são como apêndices de livros, a gente quase nunca ler. Mas, revendo minha pasta do VI Congresso da SAPIENS de 2007, encontrei esse escólio, que escrevi durante a conferência do Professor Dr. Moacir Gadotti , no qual me arrisco a fazer algumas interpolações. O educador apela para uma educação com politicidade, pois acredita que se a sociedade vai bem no transporte, na saúde, na habitação, no emprego... a educação também irá bem. Longe de ser uma escoliasta, minha intenção aqui é divulgar aquilo que considero pertinente para o momento.
É interessante fazer uma releitura:
O mundo atual tem nos apresentado vários desafios e tudo é visto numa abordagem complexa. E preciso pensar numa educação inteirada à outros sistemas.
Precisamos mudar a forma de aprender e de construir conhecimentos e, na atualidade,
o conhecimento é pluralizado é não –linear.
Precisamos também desconstruir o paradigma do pensamento único e eliminar a dicotomia que fragmenta o conhecimento holístico, respeitar a pertinência e pensar na pluralidade de realidades e de razões.
Precisamos mudar a forma de fazer políticas públicas com olhares no século XXI, as políticas publicas dos séculos passados não nos servem mais.
Nossas escolas ainda adotam posturas do século XIX e isso é inaceitável.
Os jovens de hoje têm outras mentalidades, têm outras concepções do que seja um professor e do que sejam conhecimentos.
Precisamos encontrar formas de organizações que não excluam as pessoas mas que cuidem delas; “É preciso saber cuidar” disse Leonardo Boff. “ Vamos cuidar das pessoas” disse João Paulo, atual prefeito de Recife-PE.
Precisamos respeitar a diversidade porque a educação atual vem criando pessoas acéfalas, com valores estranhos à humanidade. Presenciamos acontecimentos que nos deixam boquiabertos, inconcebíveis de aceitá-los como ações de humanos...
Retrocedemos ao século XVIII onde os governantes mandavam enforcar e esquartejar criminosos e traidores, para servir de exemplo, hoje não precisamos mais cometer crimes para sermos decapitados, pois profissionais liberais que juraram salvar vidas e curar pessoas se encarregam dessa truculência, quando não, são adolescente irracionais. Ai, eu costumo dizer que a falta da educação doméstica favorece ao aparecimento de gerações de bárbaros.
Que tipo de sociedade, os governantes pensam para os jovens, em sua grande maioria sem ideais, sem perspectivas, sem esperança e sem sonhos?
Precisamos, portanto mudar a forma de educar e realizar a inclusão social concomitante a inclusão digital.
Precisamos entrar no bom combate à desigualdade de direitos e lutar pela equidade, respeitando as diferenças e não só pensarmos como também fazermos políticas afirmativas e eliminar as discriminações com negros , crianças, idosos, especiais...os marginalizados da sociedade
Tratar igual os desiguais é injusto é preciso respeitar os limites sem depreciar
Precisamos de ações que mudem o mundo opressor
Precisamos mudar os poderes que oprimem
Precisamos fazer uma “ucronia’
O neoliberalismo transformou o mundo num grande mercado onde tudo é medido
e nos reduziu a meros consumidores da produção globalizada;
Ignorou as instituições públicas, os partidos políticos, as associações e os sindicatos.
O neoliberalismo nega o sonho e a utopia, ou seja, não admite que vislumbremos um mundo diferente do estabelecido;
O neoliberalismo não nos admite pensar na ucronia que seria fazer o que ainda não se fez num mundo possível de se viver, fazer diferente com a educação, a saúde, o transporte, a habitação e com o povo.
Os políticos falam muito em mudança, parece até que o que nunca é suficiente ou nunca encontram a forma certa de administrar, mas até agora não justificaram objetivamente essa mudança.
É preciso mostrar o que está por traz da opressão
Precisamos formar cidadãos críticos e não meros reprodutores do sistema de dominação, como se fosse a melhor opção existente.
Precisamos desconstruir essa lógica do imutável, que sustenta a ideologia burguesa desde a acumulação primitiva do capital nos séculos XV e XVI.
Por isso precisamos mudar,
Mudar significa democratizar a educação de qualidade;
Democratizar o conhecimento informacional para que todas as crianças, jovens e adultos tenham acesso público e gratuito.
Mudar significa ainda garantir a formação continuada e em serviços, de professores, para que possam educar com novos olhares entrevendo a auto-sustentabilidade como uma saída para o futuro do cidadão do mundo.
Precisamos reinventar novas formas de poder, novas relações sociais.
Precisamos realizar mudanças e construir novos modelos: econômico- político- social e cultural, para a sobrevivência das categorias oprimidas, uma vez que as novas formas de empregos geram uma sociedade excludente.
Os paradigmas clássicos não têm soluções para os problemas atuais e não têm respostas para as perguntas do século XXI.
Construímos um modelo de civilização que não deu certo, por isso precisamos desconstruir os paradigmas que foram forjados pela sociedade clássica.
Precisamos “mudar o mundo “ disse o Educador Moacir Gadotti, , no VI Congresso da SAPIENS/2007 “não se muda o mundo sem mudar as pessoas”.
E “não é possível mudar o mundo sem tomar o poder.”
sábado, 9 de agosto de 2008
O Menestrel: A alonimia de Verônica
02-07-08 às 18:07h
Há pessoas que criam coisas para nos enganar e Verônica Shoffstall é uma delas. Quando iniciamos a organização da reunião com os diretores, das Escolas Municipais, de Pedras de Fogo-PB, selecionei um vídeo que recebi em uma capacitação do projeto: Formação pela Escola, do governo federal,em Recife no final de 2000.
Preocupada com o conteúdo que iríamos passar aos diretores, resolvi dar mais uma olhada no referido vídeo cujo nome é “O Menestrel.”(poeta medieval...).
Tentando aprofundar o conteúdo do texto fui realizar uma pesquisa sobre Shakespeare e descobri que, em 1971 essa escritora norte-americana escreveu (sic) um poema intitulado “Depois de um tempo,”segundo alguns estudiosos, falseando o texto original de Shakespeare: “Aflter A while.”
Descobri também que, depois de modificado, o referido texto foi usado por um ator chamado Moacir Reis, que valeu-se da alonimia de Verônica para fazer algumas apresentações e criar alguns vídeos.
A escritora não só deu um novo titulo ao texto como criou outra variante distante da realidade da época, atribuindo a sua autoria a William Shakespeare, porém com uma versão mais contemporânea que, de forma bombástica, serviu de propagação entre Internautas.
O falso texto que foi divulgado por vários sites e no You Tube , faz muito sucesso, inclusive quando usado em encontros educacionais,poucos são os que reconhecem a obra como um embuste, com o titulo de “ O Menestrel “ e apesar de ter sido criado pelo autor de Hamlet, Macbeth e Cleopatra., com outra roupagem, o falso texto traz uma filosofia aparente que ajuda a qualquer pessoa a refletir sobre os problemas cotidianos, numa linguagem bem peculiar ao século XXI.
O escrito, realmente, impressiona e o ator Moacir Reis o interpreta como um discurso político filosófico, revendo a personalidade do ser humano e sua mudança de concepção ao deparar-se com o amadurecimento, a partir das experiências vivenciadas no percurso da vida, onde devemos suportar qualquer verdade com resignação.
Não desmerecendo a intenção da autora do falso texto, mas evidenciando a riqueza do maior escritor de todos os tempos que reconhecidamente nos deixou um legado literário de repercussão histórica bastante apreciável.
Quando Harold Bloom escreveu “Sobre Shakespeare, la Invención de lo Humano” suas revelações sobre capacidade literária do autor de Hamlet são reveladoras de uma inteligência ímpar, disse ele:
__” Ningún autor del mundo compite con Shakespeare en la creación aparente de la personalidad, (...) Para catalogar os maiores presentes de Shakespeare é quase absurdo: Onde começar, onde terminar? Escreveu a melhor prosa e a melhor poesia em inglês, ou talvez em toda a língua ocidental. Isto é inseparável de sua força mental; pensou de uma maneira mais inclusiva e mais original do que nenhum outro escritor”.
A partir do estudo aprofundado de Harold pude concluir que a comparação do texto modificado para auto-ajuda à obra shakespereana, chega a ser um pouco burlesco.
Porém, considero positivo o uso da criptonimia para disseminar pensamentos que nos ajudarão no processo de formação de nossa consciência e que farão de nós seres mais humanos.
Mesmo com títulos supostamente falsos e com modificações acintosas, porem atuais e sendo “O menestrel,” “Depois de um tempo”, Aprender ou Aflter A while , vale a pena conferir:
"Um dia você aprende que... realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!"
Há pessoas que criam coisas para nos enganar e Verônica Shoffstall é uma delas. Quando iniciamos a organização da reunião com os diretores, das Escolas Municipais, de Pedras de Fogo-PB, selecionei um vídeo que recebi em uma capacitação do projeto: Formação pela Escola, do governo federal,em Recife no final de 2000.
Preocupada com o conteúdo que iríamos passar aos diretores, resolvi dar mais uma olhada no referido vídeo cujo nome é “O Menestrel.”(poeta medieval...).
Tentando aprofundar o conteúdo do texto fui realizar uma pesquisa sobre Shakespeare e descobri que, em 1971 essa escritora norte-americana escreveu (sic) um poema intitulado “Depois de um tempo,”segundo alguns estudiosos, falseando o texto original de Shakespeare: “Aflter A while.”
Descobri também que, depois de modificado, o referido texto foi usado por um ator chamado Moacir Reis, que valeu-se da alonimia de Verônica para fazer algumas apresentações e criar alguns vídeos.
A escritora não só deu um novo titulo ao texto como criou outra variante distante da realidade da época, atribuindo a sua autoria a William Shakespeare, porém com uma versão mais contemporânea que, de forma bombástica, serviu de propagação entre Internautas.
O falso texto que foi divulgado por vários sites e no You Tube , faz muito sucesso, inclusive quando usado em encontros educacionais,poucos são os que reconhecem a obra como um embuste, com o titulo de “ O Menestrel “ e apesar de ter sido criado pelo autor de Hamlet, Macbeth e Cleopatra., com outra roupagem, o falso texto traz uma filosofia aparente que ajuda a qualquer pessoa a refletir sobre os problemas cotidianos, numa linguagem bem peculiar ao século XXI.
O escrito, realmente, impressiona e o ator Moacir Reis o interpreta como um discurso político filosófico, revendo a personalidade do ser humano e sua mudança de concepção ao deparar-se com o amadurecimento, a partir das experiências vivenciadas no percurso da vida, onde devemos suportar qualquer verdade com resignação.
Não desmerecendo a intenção da autora do falso texto, mas evidenciando a riqueza do maior escritor de todos os tempos que reconhecidamente nos deixou um legado literário de repercussão histórica bastante apreciável.
Quando Harold Bloom escreveu “Sobre Shakespeare, la Invención de lo Humano” suas revelações sobre capacidade literária do autor de Hamlet são reveladoras de uma inteligência ímpar, disse ele:
__” Ningún autor del mundo compite con Shakespeare en la creación aparente de la personalidad, (...) Para catalogar os maiores presentes de Shakespeare é quase absurdo: Onde começar, onde terminar? Escreveu a melhor prosa e a melhor poesia em inglês, ou talvez em toda a língua ocidental. Isto é inseparável de sua força mental; pensou de uma maneira mais inclusiva e mais original do que nenhum outro escritor”.
A partir do estudo aprofundado de Harold pude concluir que a comparação do texto modificado para auto-ajuda à obra shakespereana, chega a ser um pouco burlesco.
Porém, considero positivo o uso da criptonimia para disseminar pensamentos que nos ajudarão no processo de formação de nossa consciência e que farão de nós seres mais humanos.
Mesmo com títulos supostamente falsos e com modificações acintosas, porem atuais e sendo “O menestrel,” “Depois de um tempo”, Aprender ou Aflter A while , vale a pena conferir:
"Um dia você aprende que... realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!"
domingo, 1 de junho de 2008
O Espetáculo continua...
10-05-08 às 12:05h
Minhas crônicas do Portal
www.gramame.com
O caso Isabela Nardoni reflete aquilo que em 1967 foi dito por Guy Debord sobre a sociedade do espetáculo. Espetaculariza-se tudo hoje em dia. Tudo é motivo de noticia até os mais íntimos segredos de um lar torna-se para o mundo achaque sensacional de uma grande manchete, onde cria-se oportunidades tira-se proveito, ou melhor, lucro do objeto posto em exposição.
Isabela é um, dentre milhares de crimes hediondos, ocorridos contra crianças, com uma diferença, esse crime não veio das camadas menos favorecidas, Isabela não é filha de proletários, mas ostenta a égide do brasão burguês. Digo isso porque concomitantemente a esse acontecimento, surge o caso de uma garota enterrada no quintal de sua casa, mas que ninguém deu muita importância. Isso vem ratificar o descaso aviltante que faz a Rede Globo, com os crimes contra as classes econômica e socialmente inferiores.
Mas, por que o caso Isabela está há dias, meses, diariamente na TV? A resposta nos remete a avaliação do que a ideologia positivista de Augusto Conte nos induz: a manutenção da ordem burguesa. É evidente, que fora dessa ordem, devem ser punidos os que ousam afrontá-la. A burguesia tem seu status que não deve ser corrompido. É só nos reportar ao assassinato de Tim Lopes em 2002, jornalista da Rede Globo, que foi esquartejado e queimado, no morro do Alemão no Rio de Janeiro, em pleno exercício da profissão.
Esse é um fato a ser compreendido, no mesmo nível do Caso Isabela Nardoni, ambos mexerem com uma camada social importante, diga-se de passagem, estabelecida; uma pela desestruturação da ordem, e a jornalística é intocável, se essa onda pegasse, os âncoras da TV globo estariam marcados; a outra pela manutenção da família ou seja a moral e os bons costumes devem permanecer, independente de qualquer louco que queira desrespeitar essa resolução.
Não é o crime em si que tem que comover a população brasileira, mas o fato de se constituir num elemento novo, capaz de modificar valores sociais culturalmente construídos.
Mas, o espetáculo continua... O quebra-cabeça foi se constituindo e o público foi se oportunizando, por aqueles que pretendiam ter seus cinco minutos de fama, pelos que pensaram em tirar lucro da trágica situação, pelos que falsificaram, inclusive a sua realidade para justificar a palhaçada fomentada frente às câmeras, os que deram seus recados...convenientemente, os que estavam na simulação do crime, como espectadores ou como expectadores, também simulavam a sua verdade.
Como diz Debord: A "nova realidade" não é nem contemplativa nem objetiva; ela é "falsificação do real(...) "O espetáculo tem os meios de falsificar tanto a produção quanto a percepção.”
“Os meios de comunicação de massa - diz o autor - são apenas a manifestação superficial mais esmagadora da sociedade do espetáculo, que faz do indivíduo um ser infeliz, anônimo e solitário em meio à massa de consumidores".
“O espetáculo se constitui a realidade e a realidade o espetáculo. Já não se tem um limite definido para as coisas.”
Onde começa uma e termina a outra quem diz é a publicidade, o termômetro que valora a notícia, o produto, a imagem. Muitas vezes essa realidade é toscamente confundida... A vida das pessoas está muito exposta, com essa tecnologia invadindo os lares, ficamos diante de um conglomerado de informações desimportantes que vão se acumulando como o lixo do mundo até quando chegar o dia em que não teremos mais espaço para amontoá-los.
Até porque tudo vira lixo: informações, conhecimentos, matérias, natureza, e até pessoas são tratadas como detritos, como é o caso da Isabela que foi despejada pela janela, como coisa que se joga fora, porque não serve mais... “Não se atira uma criança pela Janela...” Disse a doutora Threza Pena Pirme aos professores de Pedras de Fogo-PB. Criança não é objeto que se tem até o dia em que passa a ser um estorvo...muito pela contrário ela é para sempre... pois o que fica dessa vida são apenas os sentimentos que alimentamos uns pelos outros, sejam de nossa família ou não.
Precisamos aprender a envelhecer com nossos filhos, nossos jovens, nossos(as) avós, nossos animais, porque o amor se fortalece na convivência, na interação e ai, inadvertidamente, as pessoas jogam o seu cão na rua ...Como se ele não nutrisse nenhum sentimento pelo seu dono ...Joga sua filha pela janela; sua mãe num asilo, ignorando-a enquanto “ser” que gerou a sua própria família. Aí, faltam as considerações, o respeito, a educação doméstica, as orientações da família, no seu sentido mais completo, da escola, e até da igreja...
Digo até, porque antigamente as pessoas tinham o paradigma: Deus. Temiam os castigos divinos, as crianças iam à Igreja aprender os dez mandamentos... Hoje em dia há um certo distanciamento desse referencial que de uma forma ou de outra servia como parâmetro social...Mas isso é uma historia ambígua, até porque a “Igreja” também fez mau uso do nome de Deus, acarretando muitos descalabros na vida social da Idade Média e Moderna respectivamente.
Mas, hoje a tecnologia vem substituindo o homem, a afetividade, o sentimento, os sentidos como: o olhar, o cheiro, o toque, a presença viva, real... O enclausuramento, seqüela do alto índice de violência, cria uma inquietação nas pessoas, ficamos sem um paradigma mais humanitário. E, sem modelo para seguirmos, bem ou mal, nosso destino nessa nave terra, ficamos a deriva.
E o espetáculo continua... O casal Nardoni, não se intimidou diante da justiça, o que fatalmente não ocorreria com pessoas das classes subalternas, e mesmo sendo presos eles negam ter acometido o crime contra pequenina Isabela. Mas era preciso comover a população, para que o caso ganhasse fama, mesmo com esse glamour internacional os telejornais acreditam que o episódio entrará na fila dos milhares de casos a serem analisados pela justiça. Porém, não é pela ordem (seqüência) que se dá prioridade, mas pela importância. É o caso de elucidar: “a justiça falha, mas não tarda”.
Isabela Nardoni, será mais um caso que cairá no esquecimento do publico e da justiça, como o foi o da atriz Daniela Perez (personagem Yasmin na novela de Gloria Perez, “ De Corpo e Alma)em 1992, que enleada ao mundo real foi assassinada a facadas, pelo brutamontes Guilherme de Pádua ( Bira, personagem da novela) homem alucinado, sem discernimento para separar o real do virtual mistura-se com o personagem e consegue ser odiado pela nação.
O assassinato de Daniela Perez, da maneira bárbara, transforma-se num espetáculo, comparado ao de Isabela Nardoni em que a mídia comove o publico através de sensacionalismos.
Debord em sociedade do espetáculo, diz que “os meios de comunicação de massa criam (...) uma realidade própria para que a sociedade se solidarize e crie novos critérios de julgamento e justiça conforme os seus conceitos manipuladores.”
Essa manipulação de opiniões faz com que a população, sem refletir, faça justiça antes da hora e/ou com as próprias mãos.
Casos como esses, com celebridades e pessoas de classe social abastada são os mais difundidos no meio televisivo. E de forma especial pela Rede Globo.
"Debord diz que o espetáculo consiste na multiplicação de ícones e imagens, principalmente através dos meios de comunicação de massa, mas também dos rituais políticos, religiosos e hábitos de consumo, de tudo aquilo que falta à vida real do homem comum: celebridades, atores, políticos, personalidades, gurus, mensagens publicitárias - tudo transmite uma sensação de permanente aventura, felicidade, grandiosidade e ousadia.”
Longe de protagonizar o grande filosofo Platão, e diante de um mundo sem saída, passo a crer que vivemos numa caverna e, sendo o lugar mais seguro, só sairemos dela para uma outra menos segura ainda, porque o desconhecido amedronta, mas precisamos nos desprender das ramas alienantes, que nos restringe a um espaço circunscrito. A terra tornou-se pequena demais para o ser humano. E nós somos protagonistas de nós mesmos.
O caso acabou, mas o espetáculo continua...
Minhas crônicas do Portal
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O caso Isabela Nardoni reflete aquilo que em 1967 foi dito por Guy Debord sobre a sociedade do espetáculo. Espetaculariza-se tudo hoje em dia. Tudo é motivo de noticia até os mais íntimos segredos de um lar torna-se para o mundo achaque sensacional de uma grande manchete, onde cria-se oportunidades tira-se proveito, ou melhor, lucro do objeto posto em exposição.
Isabela é um, dentre milhares de crimes hediondos, ocorridos contra crianças, com uma diferença, esse crime não veio das camadas menos favorecidas, Isabela não é filha de proletários, mas ostenta a égide do brasão burguês. Digo isso porque concomitantemente a esse acontecimento, surge o caso de uma garota enterrada no quintal de sua casa, mas que ninguém deu muita importância. Isso vem ratificar o descaso aviltante que faz a Rede Globo, com os crimes contra as classes econômica e socialmente inferiores.
Mas, por que o caso Isabela está há dias, meses, diariamente na TV? A resposta nos remete a avaliação do que a ideologia positivista de Augusto Conte nos induz: a manutenção da ordem burguesa. É evidente, que fora dessa ordem, devem ser punidos os que ousam afrontá-la. A burguesia tem seu status que não deve ser corrompido. É só nos reportar ao assassinato de Tim Lopes em 2002, jornalista da Rede Globo, que foi esquartejado e queimado, no morro do Alemão no Rio de Janeiro, em pleno exercício da profissão.
Esse é um fato a ser compreendido, no mesmo nível do Caso Isabela Nardoni, ambos mexerem com uma camada social importante, diga-se de passagem, estabelecida; uma pela desestruturação da ordem, e a jornalística é intocável, se essa onda pegasse, os âncoras da TV globo estariam marcados; a outra pela manutenção da família ou seja a moral e os bons costumes devem permanecer, independente de qualquer louco que queira desrespeitar essa resolução.
Não é o crime em si que tem que comover a população brasileira, mas o fato de se constituir num elemento novo, capaz de modificar valores sociais culturalmente construídos.
Mas, o espetáculo continua... O quebra-cabeça foi se constituindo e o público foi se oportunizando, por aqueles que pretendiam ter seus cinco minutos de fama, pelos que pensaram em tirar lucro da trágica situação, pelos que falsificaram, inclusive a sua realidade para justificar a palhaçada fomentada frente às câmeras, os que deram seus recados...convenientemente, os que estavam na simulação do crime, como espectadores ou como expectadores, também simulavam a sua verdade.
Como diz Debord: A "nova realidade" não é nem contemplativa nem objetiva; ela é "falsificação do real(...) "O espetáculo tem os meios de falsificar tanto a produção quanto a percepção.”
“Os meios de comunicação de massa - diz o autor - são apenas a manifestação superficial mais esmagadora da sociedade do espetáculo, que faz do indivíduo um ser infeliz, anônimo e solitário em meio à massa de consumidores".
“O espetáculo se constitui a realidade e a realidade o espetáculo. Já não se tem um limite definido para as coisas.”
Onde começa uma e termina a outra quem diz é a publicidade, o termômetro que valora a notícia, o produto, a imagem. Muitas vezes essa realidade é toscamente confundida... A vida das pessoas está muito exposta, com essa tecnologia invadindo os lares, ficamos diante de um conglomerado de informações desimportantes que vão se acumulando como o lixo do mundo até quando chegar o dia em que não teremos mais espaço para amontoá-los.
Até porque tudo vira lixo: informações, conhecimentos, matérias, natureza, e até pessoas são tratadas como detritos, como é o caso da Isabela que foi despejada pela janela, como coisa que se joga fora, porque não serve mais... “Não se atira uma criança pela Janela...” Disse a doutora Threza Pena Pirme aos professores de Pedras de Fogo-PB. Criança não é objeto que se tem até o dia em que passa a ser um estorvo...muito pela contrário ela é para sempre... pois o que fica dessa vida são apenas os sentimentos que alimentamos uns pelos outros, sejam de nossa família ou não.
Precisamos aprender a envelhecer com nossos filhos, nossos jovens, nossos(as) avós, nossos animais, porque o amor se fortalece na convivência, na interação e ai, inadvertidamente, as pessoas jogam o seu cão na rua ...Como se ele não nutrisse nenhum sentimento pelo seu dono ...Joga sua filha pela janela; sua mãe num asilo, ignorando-a enquanto “ser” que gerou a sua própria família. Aí, faltam as considerações, o respeito, a educação doméstica, as orientações da família, no seu sentido mais completo, da escola, e até da igreja...
Digo até, porque antigamente as pessoas tinham o paradigma: Deus. Temiam os castigos divinos, as crianças iam à Igreja aprender os dez mandamentos... Hoje em dia há um certo distanciamento desse referencial que de uma forma ou de outra servia como parâmetro social...Mas isso é uma historia ambígua, até porque a “Igreja” também fez mau uso do nome de Deus, acarretando muitos descalabros na vida social da Idade Média e Moderna respectivamente.
Mas, hoje a tecnologia vem substituindo o homem, a afetividade, o sentimento, os sentidos como: o olhar, o cheiro, o toque, a presença viva, real... O enclausuramento, seqüela do alto índice de violência, cria uma inquietação nas pessoas, ficamos sem um paradigma mais humanitário. E, sem modelo para seguirmos, bem ou mal, nosso destino nessa nave terra, ficamos a deriva.
E o espetáculo continua... O casal Nardoni, não se intimidou diante da justiça, o que fatalmente não ocorreria com pessoas das classes subalternas, e mesmo sendo presos eles negam ter acometido o crime contra pequenina Isabela. Mas era preciso comover a população, para que o caso ganhasse fama, mesmo com esse glamour internacional os telejornais acreditam que o episódio entrará na fila dos milhares de casos a serem analisados pela justiça. Porém, não é pela ordem (seqüência) que se dá prioridade, mas pela importância. É o caso de elucidar: “a justiça falha, mas não tarda”.
Isabela Nardoni, será mais um caso que cairá no esquecimento do publico e da justiça, como o foi o da atriz Daniela Perez (personagem Yasmin na novela de Gloria Perez, “ De Corpo e Alma)em 1992, que enleada ao mundo real foi assassinada a facadas, pelo brutamontes Guilherme de Pádua ( Bira, personagem da novela) homem alucinado, sem discernimento para separar o real do virtual mistura-se com o personagem e consegue ser odiado pela nação.
O assassinato de Daniela Perez, da maneira bárbara, transforma-se num espetáculo, comparado ao de Isabela Nardoni em que a mídia comove o publico através de sensacionalismos.
Debord em sociedade do espetáculo, diz que “os meios de comunicação de massa criam (...) uma realidade própria para que a sociedade se solidarize e crie novos critérios de julgamento e justiça conforme os seus conceitos manipuladores.”
Essa manipulação de opiniões faz com que a população, sem refletir, faça justiça antes da hora e/ou com as próprias mãos.
Casos como esses, com celebridades e pessoas de classe social abastada são os mais difundidos no meio televisivo. E de forma especial pela Rede Globo.
"Debord diz que o espetáculo consiste na multiplicação de ícones e imagens, principalmente através dos meios de comunicação de massa, mas também dos rituais políticos, religiosos e hábitos de consumo, de tudo aquilo que falta à vida real do homem comum: celebridades, atores, políticos, personalidades, gurus, mensagens publicitárias - tudo transmite uma sensação de permanente aventura, felicidade, grandiosidade e ousadia.”
Longe de protagonizar o grande filosofo Platão, e diante de um mundo sem saída, passo a crer que vivemos numa caverna e, sendo o lugar mais seguro, só sairemos dela para uma outra menos segura ainda, porque o desconhecido amedronta, mas precisamos nos desprender das ramas alienantes, que nos restringe a um espaço circunscrito. A terra tornou-se pequena demais para o ser humano. E nós somos protagonistas de nós mesmos.
O caso acabou, mas o espetáculo continua...
terça-feira, 20 de maio de 2008
Transdisciplinaridade na revista Nova Escola, muito bom viu!
Conhecimento Total
A transdisciplinaridade é vista como o caminho para dominar os saberes que se acumulam de forma cada vez mais vertiginosa
Esta entrevista foi realizada pela jornalista Paola Gentile
A palavra é comprida e difícil de ser pronunciada. Os dicionários ainda não a registram, razão pela qual muita gente pensa que ela não passa de um modismo, sujeito a desaparecer com o tempo. Transdisciplinaridade, porém, é um conceito que surgiu há algumas décadas. Jean Piaget o utilizava para referir-se a um estágio superior das relações entre as disciplinas na escola. Em 1994, uma nova abordagem surgiu, com um manifesto redigido pelos pesquisadores Lima de Freitas, Edgar Morin e Basarab Nicolescu. No texto, eles propõem o diálogo das diversas ciências com a arte, a literatura, a poesia e a experiência interior do ser humano.
Desde então, profissionais das mais diversas áreas têm se debruçado sobre o termo. Em educação, ele é visto como um caminho viável para a construção do conhecimento global, numa época em que os saberes surgem e se acumulam de forma vertiginosa, mas não garantem o crescimento pessoal e a incorporação de valores. No Brasil, Paulo Afonso Ronca é um dos nomes que se destacam no estudo da transdisciplinaridade. Doutor em Psicologia Educacional, ele dirige o Instituto Esplan. Nesta entrevista, concedida por e-mail à editora Paola Gentile, ele nos ajuda a entender um pouco mais sobre o tema.
NOVA ESCOLA> Quando o conceito de transdisciplinaridade foi usado pela primeira vez?
Paulo Afonso Ronca< O educador suíço Jean Piaget o utilizou nos anos 70 para designar um passo adiante na relação interdisciplinar. Existe na palavra uma singela contradição: o prefixo trans pode sugerir transpassar, passar além, transpor, enxergar através. E disciplina vem mostrar um conjunto de regulamentos destinados a manter uma certa ordem. O trans atravessa a disciplina, dilacera-a, impondo uma outra visão sobre ela mesma. O pensamento transdisciplinar nos leva a buscar o universal, uma nova dimensão, quem sabe a transcendental... Aqui temos espaço para um pensamento tão amplo quanto aberto; tão extenso quanto dilatado.
NE> Como definir, então, essa palavra aparentemente incoerente?
Ronca< Ela é mais que uma teoria. É uma abordagem íntima, uma postura. É estado de espírito, uma espécie de peripécia da mente que precisa ser assimilada e vivida pelos que ensinam, aprendem ou trabalham. É uma habilidade que só se concretiza quando se tece um vínculo sincrônico e contínuo entre os saberes. Cada área do conhecimento tem a sua naturalidade, aquilo que lhe é próprio, mas queremos vivenciar, além disso, o saber como um todo.
NE> No que a transdisciplinaridade pode mudar as práticas de educação?
Ronca< Entre outras, espero que essa consciência faça com que recuperemos o que a percepção fechada das ciências nos tirou: a visão cósmica. Se cada disciplina segue uma metodologia e se cada conhecimento desvenda uma pequenina parte da verdade mais ampla, a transdisciplinaridade busca o que é comum em todos os pensares, o lugar onde todas ciências convergem, para que possamos entender a relação do homem com o mundo.
NE> Como podemos trabalhar esse conceito na escola?
Ronca< Não existem métodos específicos para isso. Mas o primeiro passo é acabar com a grave distância entre as ciências. Acredito que, no futuro, não existirão mais Ciências Humanas, Exatas, Biológicas ou outras, como a computacional. Toda ciência é humana. É feita pelo ser humano e para ele. E, por que não dizer, para além dele! O objetivo dessa postura no educar é o de acolher e compreender o mundo como ele se apresenta, com sua história e suas possibilidades. Um dos imperativos para isso é a unidade de conhecimentos, oferecendo uma percepção mais coesa e compreensiva dos mesmos, visando à construção do futuro. A transdisciplinaridade é o fim da visão individual e mecânica, simplista por nascença. A rigidez imposta na divisão das ciências, a inflexibilidade adotada em aula e a severidade de nossas concepções só levaram ao empobrecimento de idéias e à exclusão social.
NE> Quando os teóricos perceberam as falhas do ensino estanque?
Ronca< Há diversos cientistas preocupados com a questão, escrevendo com arrojo e criatividade. O jovem hoje é atingido por densos estímulos visuais, a noção de tempo e de espaço mudou drasticamente e a iminência de uma guerra bacteriológica contrasta, por exemplo, com as facilidades que nos traz a informática. É obrigatório rever como estamos tratando a construção do conhecimento. Os fenômenos que ocorrem no mundo são tão complexos que não dá mais para tentar ordená-los da forma como estamos acostumados, só fragmentando o saber em diversas ciências e disciplinas.
NE> No entanto, a escola permanece dividida por disciplinas. A quem serve esse tipo de abordagem?
Ronca< Tivemos no Brasil a influência das Aulas Régias dos jesuítas e a presença avassaladora e impertinente do Positivismo no geral. Essa divisão e classificação da ciência só serviu para elitizar a escola. Com isso, tornaram-se elite também aqueles que a procuravam e a vivenciavam. Hierarquizou-se a sociedade. Criou-se um jogo com cartas marcadas.
NE> Fala-se muito em interdisciplinaridade. O que ela tem a ver com a transdisciplinaridade?
Ronca< Interdisciplinaridade é um conceito que contribui para uma outra visão de construção do conhecimento. Não é apenas uma mistura de saberes, mas a possibilidade de transferir métodos de uma disciplina para a outra. Por exemplo, a geometria ajudando na observação de monumentos históricos e artísticos; a dialética, que geralmente é usada na compreensão de fatos históricos, adotada para o entendimento de fenômenos literários; ou a informática auxiliando nas artes e na arquitetura. A interdisciplinaridade não quebra o sistema da divisão do conhecimento em disciplinas. Ela o ultrapassa, mas seu fim último permanece inserido no estudo disciplinar — e dependente deste. No entanto, não acredito que seja o caso de fazer da transdisciplinaridade um novo modismo em educação. Não queremos eliminar conceitos e substituí-los por novos. Disciplinaridade, interdisciplinaridade e transdisciplinaridade, tudo faz parte da construção do conhecimento, da epistemologia e do universo cognitivo íntimo do ser humano.
NE> O senhor sugere então o fim de qualquer tipo de hierarquização?
Ronca< Não só eu como qualquer cientista que queira assumir uma consciência transdisciplinar. A transdisciplinaridade não rejeita, mas reúne as teorias, percebendo nelas o invisível, o ponto que lhes é comum. Recusando fragmentações, ela considera diferentes ângulos da realidade, das ciências e das culturas e os aproxima, num movimento subjetivo de interação, de integração, de intersecção. O físico Goswani fala em interconectividade. O pensamento transdisciplinar escapa das garras do que se convencionou chamar de natureza científica, partindo para novas dimensões filosóficas, ideológicas e políticas, que determinem outros parâmetros para a compreensão do ser humano. Nos últimos séculos, tanto a visão do conhecimento como a atuação no mundo do trabalho foram alicerçadas num ponto de vista piramidal, com sólida base conceitual. O que se erguia a partir dela perdia-se em importância social e econômica ou consideração política. O pensamento transdisciplinar conclama o fim das divisões piramidais — Morin fala em fim da separabilidade. Temos de buscar um denominador comum. Eis a questão!
NE> Que tipo de modificações o senhor sugere na organização do tempo e do espaço escolar?
Ronca< Tanto na educação quanto no mundo do trabalho a transdisciplinaridade pode ajudar educadores e líderes a rever suas posições sobre o ser humano. Na escola, busca-se uma profunda mudança nas relações sociais e políticas lá experimentadas. Uma estrutura que divide o tempo em aulas de 50 minutos e utiliza professores horistas está caduca. A escola precisa aprender a movimentar-se em outros espaços, não fazendo da sala de aula a única passarela em que desfila o mundo do conhecimento. Nós, educadores, necessitamos transgredir as fronteiras entre as disciplinas, mas para isso é preciso haver uma formação humanista, que contemple a Filosofia, tanto na graduação quanto na vivência da sala de aula.
NE> Como uma escola pode organizar seu currículo?
Ronca< O currículo transdisciplinar deve alimentar a idéia de que nenhuma disciplina tem mais valor do que as outras e de que a nossa missão não se esgota na explicação de conteúdos implícitos nelas. Com isso, um currículo transdisciplinar sugere a abertura de nossa mente para que possamos abordar, crítica e simultaneamente, dimensões como ecologia, artes, televisão, tecnologia, política, meditação, guerras, relações de amor e de trabalho...
NE> Como esses conceitos podem ser incorporados à rotina do professor?
Ronca< Pensemos no projeto de uma horta escolar. Imaginemos como educadores e alunos participariam dele. Simultaneamente, todos estariam envolvidos nas discussões sobre medidas de áreas e a arquitetura de sua construção; a qualidade da terra e dos insumos necessários; a escolha e a compra de sementes e a incidência do Sol sobre a plantação. Em seguida, leriam textos sobre a importância de verduras e legumes para o organismo humano; iriam à feira saber o preço dos produtos para calcular o lucro dos produtores e vendedores; levantariam hipóteses sobre a possibilidade de consumo do brasileiro comum. O grupo poderia ainda pesquisar sobre outras civilizações que se valiam desse tipo de horticultura para a alimentação. Como poderia ser representado o desenvolvimento de legumes e vegetais artística, gráfica, musical ou até corporalmente? Haveria experiências com sementes para observação de mutações genéticas e parte das verduras poderia ser colocada em estufas para a comparação do desenvolvimento. Seria necessário até conhecer a polêmica sobre as mudanças climáticas provocadas pela absorção da radiação solar, que diversos países têm discutido. Os alunos regariam a horta, acompanhariam o crescimento das hortaliças e, depois de colhê-las e ensacá-las, iriam até o hospital da região para doá-las. Nesse gesto, vai também um pouco de cada humano que participou desse crescimento e que, agora, sente a experiência da cooperação. O envolvimento de todos em todas essas questões unifica os saberes.
NE> A abordagem de um tema deve, então, ser a mais ampla possível?
Ronca< Trazendo o mundo para dentro da sala de aula, discutindo-o e incorporando-o, e educando com base num pensamento transdisciplinar, tendo o humano como o epicentro de discussões dialéticas, estaremos vivendo a transdisciplinaridade. É assim que vai se manifestar a aurora de um novo e revolucionário conceito de humanismo.
Educação e Transdisciplinaridade, Basarab Nicolescu, Gaston Pineau e outros, 185 págs., Unesco, (0_ _ 61) 321-3525, r. 256, 15 reais
O Pensamento Parece uma Coisa À-Toa..., Paulo Afonso Ronca e Cleide Terzi, 264 págs, Ed. Edesplan, tel. (0_ _11) 3885-0982, 20 reais
Rumo à Nova Transdisciplinaridade, Pierre Weil, Ubiratan D'Ambrosio e Roberto Crema, 176 págs., Summus Editorial, tel. (0_ _11) 3872-3322, 23,90 reais
Transdisciplinaridade, Ubiratan D’Ambrosio, 176 págs, Ed. Palas Athena, tel. (0_ _11) 279-6288, 20 reais
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