segunda-feira, 18 de maio de 2009




Jaleco: Se essa moda pega?!


Sempre valorizei as vestimentas dos bombeiros dos comissários de bordo, dos pilotos, dos soldados do exercito, qualquer tipo de vestimenta, principalmente a dos médicos porém, mais interessante quando eles usam o jaleco. Mas infelizmente esse aparato virou avental público que cobrem e revelam os status quo de silhuetas consideradas importantes do ponto de vista social.
Exibi-lo publicamente.
A propósito o uso do jaleco é algo contestável pelo menos na minha cidade. Eu sempre soube que os médicos e as enfermeiras usavam os jalecos para se proteger de possíveis bactérias, mas notamos que essa pratica entre os profissionais de saude é cada vez frequante fora do ambiente de trabalho, alguns deles não fazem mais distinção entre os doentes, as ruas, as bactérias, entre outras coisas.
Vez por outra encontramos numa barraquinha de cachorro quente, algum médico ou enfermeira exibindo o seu jaleco branco de preferência, em plena rua com carros produzindo poeiras e lixos dos mais variados, além das mãos sujas pelo dinheiro, tudo isso proliferam bactérias que poderão entrar em contato com os doentes dos hospitais ou as bactérias migrarem em seus jalecos para os sadios que se encontram nas ruas. Acho que isso se faz sem o menor critério de uso desses coletes, outras vezes são as batas que se usam na sala de cirurgia...essas com menos constância.
Acho que eles pensam ou não pensam, pelo menos as pessoas que exibem seus jalecos nas ruas e às vezes pegam até ônibus para ir aos estágios de enfermagem.
Ainda não sei que status isso dar. Mas de uma coisa eu tenho certeza: O uso indevido dos jalecos é uma falta de higiene sem escrúpulos, dos que se utilizam desse vestuário, mas para se proteger do que resguardar os doentes.
Mas também sei que essa postura é uma questão de ética e respeito, que fazem parte do currículo dos cursos de auxiliar enfermagem, mas que talvez não sejam devidamente enfatizados ou levados a sério..
Acredito até que os estudantes pensem que o jaleco seja só para proteger suas roupas, como acontecia com as batas dos mestres, que as utilizavam para se proteger do pó de giz, e que atualmente o seu uso já não faz mais sentido, na era da tecnologia os quadros melânicos são escritos com tintas ou pincéis atômicos.
Mas as doenças continuam, independente das mudanças de paradigmas, alguns profissionais da saúde ainda não conseguem compreender que o risco que ele faz alguém correr é o mesmo pelo qual um dia poderá ele passar.
Se essa moda pega?!

domingo, 25 de janeiro de 2009

Tributo a Manoel Bezerra de Mattos Neto

Matam o homem, mas não os seus sonhos.

A Lei não fala porque se ela falasse e ouvisse a todos com eqüidade, o mundo teria outro olhar sobre sua aplicabilidade.
A justiça não ouve não vê e não fala
O mundo continua gritando, clamando por ela, mas ela não dá ouvidos;
Que mulher é essa que é tão estudada e que muitas vezes não serve para nada?
Fazer justiça com as próprias mãos é uma prática bem ultrapassada, quando ainda não existiam leis de combate ao crime com mais rigor.
Fazer justiça com as próprias mãos?
Muitos cometeram essas atrocidades; a eficácia de uma cabeça encapuzada livra o criminoso, mas não livra sua culpa.
Porque fazer justiça com as próprias mãos é não reconhecer que o homem evoluiu do paleolítico ao tecnológico.
Acontece que algumas cidades ainda vivem no primitivismo e desrespeitam as regras de convívio social: intimidam, ameaçam, reprimem, oprimem, aterrorizam. Há pessoas que são amadas e odiadas, Manoel Matos era uma dessas. Porém ele foi mais amado e isso ficou provado com a multidão que estava lá, no seu velório.E apenas um grupinho bem insipiente o odiava.
Manoel era de uma personalidade forte, um idealista convicto de que pela luta se alcança os objetivos e lutou incansavelmente. Sua vida foi curta, mas com muita intensidade. Deu bom exemplo aos filhos e a sua família. Mas, não teve chance de se defender pelo objeto do seu estudo, as leis . E sub-repticiamente foi assassinado sem ter tido tempo de preparar sua defesa.
A honra faz um homem!
E um grande homem se conhece pelos ideais...Manoel Mattos os tinha entrelaçados com a justiça, a igualdade de direitos, a liberdade de expressão, uma democracia verdadeira e ver seus filhos, bem como os filhos de todas as mães e todos os pais, crescerem sadios e felizes. Mas isso lhe foi podado.
O que faz um capuz além de esconder o rosto dos que querem fazer justiça com as próprias mãos.
As Instituições precisam se reciclar e atuar de maneira mais honesta possível, pois que o mundo pertence a todos e todos têm o direito a um lugar ao sol;
Precisamos pousar um novo olhar sobre o mundo e descobrir através da historia coisas atuais, acontecimentos estarrecedores e assassinatos de homens ilustres e brilhantes que deram o seu sangue pelo seu povo na luta pelos ideais.
E a justiça é cega quando não vê a barbárie, a impunidade, a injustiça, a iniqüidade.
E continua justa.
È difícil, mas ainda é possível um mundo possível de se viver: Um mundo utópico, ucrônico...
Manoel estará vivo no inconsciente coletivo.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

“O olho espanta-me”

“A seleção Natural é cega” (sic) Dr. Jacques Monod, assim como o é o acaso. “Só enxergamos bem com o coração o essencial é invisível aos olhos - Grafou Antoine de Saint-Exupéry - em sua fábula, “o pequeno príncipe”(1943), essa frase foi linda no mundo inteiro; Darwin na sua autobiografia escreveu: “O olho espanta-me.” Logo ele, pai do Evolucionismo! Mas não me surpreendo com tal colocação, porque "os descendentes dos “circuncidados” continuam gerando filhos com prepúcio, apesar desse fenômeno ocorrer há mais de 3 mil anos," o que presenciamos é uma espécie de seleção, pela Lei natural dos homens, visivelmente tida como um ritual celebrado entre hebreus.
Quanto à explicação não deixada sobre o que intriga no olho dos seres, pelo defensor da seleção natural, a ciência moderna atesta a existência de fotorreceptores distribuídos na cavidade ocular ligados ao nervo ótico, que nos dão a sensação de capturar imagens. E como disse Domenico Ravalico, “esses fotorreceptores estão presentes em todos os seres vivos que se movimentam em busca do alimento para a sua sobrevivência na terra.”
Porém, enxerga-se com tudo o que há de sensível: pele, músculo e cavidade ocular... Até os seres mais abissais possuem sensibilidade para enxergar e se proteger do mal e/ou se aconchegar ao bem ao bom, quando for o caso ou o acaso.
Grandes homens da historia da humanidade questionaram o olhar. Leonardo da Vinci criou o mistério de Gioconda, e vem dele o axioma “os olhos são a janela da alma...”; A clarividência, a terceira visão ou terceiro olho se fará visível magia elemental, diante daquele que tiver o poder de enxergar; quando estamos apaixonados dizem que nossos olhos brilham; quando tristes viram olhos de peixe morto; Narciso se apaixonou por si quando se viu refletido no lago; os olhos também são “o espelho do mundo”já dizia o criador de Monalisa, mas não precisamos ter exatamente olhos para enxergar. Shopenhauer nos fala de um corpo tornado visível sob uma determinada ótica.
Mas, nem tudo que enxergamos como verdadeiro é real. Há aqueles que enxergam por nós: institucionalizam o olhar, ampliam nossos horizontes visuais e dominam nosso intelecto, nos ideologizam na perspectiva da alienação da imagem ideal. “Nem tudo o que parece ser o é.”
Não precisamos ter olhos para enxergar, talvez seja por isso que o espanto de Darwin necessite de uma explicação científica, ou seja, exija um novo olhar no interior da visão de quem não o possui.
Olhar nem sempre é enxergar. Thomas H. Huxley (biólogo britânico), século XIX, certamente ficaria admirado com o Projeto ARGUS que aposta na evolução de seres em outras dimensões, porém, diante da sua grandiosidade, ainda não se compara ao ADN (Acido desoxirribonucléico ) descoberto em meados do século xx, através de um raio x, por cientistas da época; e com toda certeza, o mundo está fascinado com a miniaturização dos chip’s, com a potência do olhar dos GPS, olhar cego que se remete a localização espaciais de imagens por satélites, através dos quais hoje podemos ver o quase impossível. Assim como as Telecâmeras que nos vêm, mas são absolutamente cegas, com cega é a “força” da vontade de viver, na visão de do autor de “o mundo como forma de representação.”
Numa perspectiva freudiana há um amor cego e que ao mesmo tempo cega. Jane Japiassu revela esse estágio, adaptado por mim para o cabimento neste texto, quando reescreve a historia de Afrodite e Psiquê: Em seu conto poético Afrodite inventa o sentimento de posse, pelo fato de ser egoísta. A posse que deixa o amor enfraquecido e que no século XIX infernizou os pacientes de Dr. Freud.
Conta a lenda que Eros pretendia ficar com o amor das duas, (Afrodite e Psiquê) assim ele seria o inventor do amor segredado, escondido, indefinido, simulado, camuflado dentre outros adjetivos.
Porém Psiquê vinha aceitando o amor sombrio de Eros, nas caladas da noite recebia o pouco e dava de tudo. Eis que um dia, depois de muitos outros, Psiquê cansou da mesmice e da hipocrisia de Eros, decidiu enxergar o que estava à sua frente, mas que não admitia; decidiu “ver” e por outro olhar sobre Eros, que nem largava a outra nem a assumia socialmente.
Assim uma noite enquanto Eros dormia, ao acender uma vela, o foco iluminando seu corpo, fez Psiquê enxergá-lo com outros fotorreceptores. {grifo meu} Percebeu sua submissão; entendeu que Eros não iria abdicar do amor de Afrodite, por covardia e por medo de ser feliz. E, tendo essa compreensão, Psiquê o abandona para sempre.
A sua vontade de viver e ser livre era mais cega que o seu amor por Eros. Quanto a Eros, a platonicidade de um amor nutrido pela própria mãe é de se perfurar os olhos, logo, seus fotorreceptores não enxergaram a realidade real. Finalmente, Eros e Afrodite seguiram ofuscados.
O olho espanta-me! Disse Darwin no século XIX. Na sua época não poderia dizer diferente. Um século depois da criação da teoria evolucionista, 1977 precisamente, as Edições Paulinas - Editora Católica - lança um livro cujo título é: “a criação não é um mito” onde o autor Domenico Rivalico nos faz perceber que hoje em dia o olho é completamente cognoscível.
Aproveitando o espanto de Darwin e o estudo do autor do livro, fiz a seguinte analogia: Muitas vezes somos comparáveis a seres deprimentes, solitários, peçonhentos, nocivos, a vermes que se movimentam em lugares asquerosos da terra; seres traiçoeiros, como as piranhas que devoram o boi e que apenas atravessa o rio para beber água.
Outras vezes nos assemelhamos a seres unicelulares, como a minhoca, que não tem olhos, mas enxergam, assim como nós humanos ela possui milhões de células vivas e fios condutores que permitem a sua locomoção na umidade dos terrenos e de subterrâneos; Somos comparados a seres que vivem da ponta de um filamento fotossensível e não podem entrar em contato direto com a luz solar, sob pena de não poderem mais se alimentar; seres que vivem por um fio como a Euglena.
Somos também associados a moluscos seres sem luz, mas de luz como a concha de Pecten e suas dezesseis pérolas com dezesseis lentes, são olhos com retina e nervo ótico que levam mensagem ao sistema nervoso e por isso percebe a luz.
Somos comparáveis a insetos, a uma mosca, por exemplo, com os seus fotorreceptores em forma de mosaicos.
Do nosso ancestral herdamos além de tudo os olhos. Dos olhos do antropóide sai um fio condutor que é um nervo ótico que lhe dá a visão completa das imagens, associados a uma telecâmera de TV
Temos olhos de escorpião com raios luminosos e côncavos recobertos por células vivas, se não ficarmos atentos seremos atraiçoados;
Somos semelhantes também aos contraditórios seres abissais, que não necessitam só da luz própria do seu olhar, mas de verdadeiros faróis sobre os olhos para poder enxergar e que, mesmo nas profundezas dos oceanos, se escondem nas trevas e apagam os faróis, sem os quais seriam cegos. Assim somos nós às vezes para enxergarmos o óbvio precisamos de faróis. Muitas vezes nos fechamos na ignorância de nossas trevas para não ter que enxergar a verdade insofismável.
Darwin tinha razão. É que mesmo depois de toda descoberta da ciência sobre o olho, o olhar ainda intriga...

domingo, 26 de outubro de 2008

A Linguagem de Corpos Multiculturais


Minhas Crôncas do Portal Gramame.com

Que corpo é esse que não cessa,

e mesmo quando morto existe?

Que vive e se perpetua nas dimensões espaço e tempo?

Que evolui, aperfeiçoa-se e transmuta-se?

Corpo que fala quando silencia...

E quando calado sentencia.

Que corpo é esse que camufla a própria imagem?

Que, simula, gesticula e que é linguagem?

Que corpo é esse que sensível capta tudo?

Corpo frágil que ao outro contamina

Que recria, reproduz e que inventa

Corpo que se movimenta,

deita e rola, faz e acontece...

corpo jovem que envelhece, que se rende à gravidade.

Esse corpo epicurista exaurido de prazer

e de sensibilidade.

Originário do africano.

E o corpo de Freud edipiano,

no corpo incestuoso de Jocasta

Cinematográfico corpo de Sofia.

Corpo da libidinagem,

e de Calígula `a sacanagem,

que ultrapassa as fronteiras da linguagem.

O corpo da cilada...

E o indelével corpo da criança estuprada.

O criminoso corpo de Lombrozzo

Deplorado corpo em assalto,

Corpo em combate...

no calor da trama do corpo rodrigueano

e o romantismo do corpo dramático,

shekspeareano

Corpos divinos de Dante e Beatriz

Demoníaco e sedutor corpo de Lilith

a mulher que Adão não quis

e o tão igual provocador: Leila Dinis

O corpo negro de Otelo,

corpo belo...

da gueixa amarela que sustenta seu amado

Dionisíaco corpo de Elis embriagado.

O corpo queimado de Galdino

Misterioso corpo de Carlinhos raptado.

Corpos de Chernobyl,

por herança deformados.

Que corpo é esse que perpetua a humanidade?

Corpo do bem?

Corpo da maldade?

Corpos detentos legitimados

Duros corpos da Lei iníqua

Corpos de arena.

“Ius primae noctis”

a Primeira noite da romana,

cedida à flor do corpo ao seu senhor

e o corpo enforcado de Judas, traidor.

Corpo paleolítico de Vênus Lespugue,

de um nu abrasador

E da bela Afrodite a deusa grega do amor.

Corpo de Camilo que preso à relação

libera à Ana Plácido

o seu amor de perdição

Corpos do adultério

Corpo da traição.

Corpos de Lesbos em sodomia

E o corpo de Onan em rebeldia.

A volúpia que adolesce

no Eros de Boticelli.

Cabeça sem corpo de presente a Salomé

E o corpo bovariano de Fleubeart

Corpos das virgens assassinadas,

e da pureza a essência retirada

e no perfume

de Patrick transformadas.

Corpos revolucionários de Yoko e John Lennon.

E corpos suicidas de Jim Jones, vaidosos e narcísicos,

que se envenenam.

Corpos crédulos dos ex-votos, prometidos e engessados

corpos fragmentados.

O Corpo Sacro de Vojtyla.

Objeto, sex-appeal.

Balzaquianos corpos que desnudam olhos de um tempo juvenil.

Casto corpo de convento

Corpo de cruz e sofrimento,

Sedento de fome... de miséria.

Corpo pobre na opulência

Decente corpo da luxúria;

da injúria

E o corpo vil da violência.

Dos picos corpos gelados

E no fundo do mar jazidos

Corpos de bruxas queimados

Corpo do Cristo ferido

Lutam p’ra se defender

do julgo imperioso

Da cúria do glorioso e implacável poder.

Corpos que subvertem

a ordem capitalista.

Semente da flor de Hiroxima

corpos do Vietnam

e de mulheres encobertas com a burca no Irã,

Impedidas do biquíni, da calcinha e do batom

e da renda delicada do bico do sutiã.

Corpos fundamentalistas

Corpos puros, arianos:

O protótipo do corpo endeusado

Corpos sem nomes, desvalidos

Corpos hitleristas experimentados,

Repelidos corpos de judeus assassinados

e corpos perfeitos selecionados.

Napoleônicos corpos decapitados

e capitalizados corpos explorados

O corpo do escravo

O escravo do corpo

Corpos coloridos da TV

E corpos de olhos que não vê

Que se toca e não se sente,

um corpo tetraplégico dormente,

no teórico britânico Stephen Hawking

a geniosa mente de Stanislaw

e um corpo enjaulado

na jurisprudência de Nicolau

O Sonoro corpo da arte de um Mozart

E a sinestesia do “Atleta” de Picasso

Corpo medido da Vinci,

corpo de régua e compasso.

Um corpo nômade é sedentário,

o corpo literário de Pessoa

no corpo cansado do ermitão.

E no Rio da Candelária corpos mortos sem razão.

O Corpo de Deus no niilismo

frutos da imaginação

Aterrorizados corpos das Torres

atirados do alto em chamas

soterrados corpos dos escombros,

Alienados e massificados,

prostituídos e socializados corpos na lama.

Corpos que de corpos vivem, canibais

e mesmo que mortos

a natureza mesquinha

deles não se desfaz.

Pós-modernos, midiáticos,

saudáveis corpos viris dos teen-eges.

E a decrepitude de corpos outrora desejáveis.

viciados corpos sociais

“Vitiis, nemo sine nascitur”

corpos multiculturais,

benditos e sa (g) rados corpos dos mortais!

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Minhas Crôncas do Portal Gramame.com

18-08-08 às 10:08h

O Escólio

Anotações de encontros e de reuniões são como apêndices de livros, a gente quase nunca ler. Mas, revendo minha pasta do VI Congresso da SAPIENS de 2007, encontrei esse escólio, que escrevi durante a conferência do Professor Dr. Moacir Gadotti , no qual me arrisco a fazer algumas interpolações. O educador apela para uma educação com politicidade, pois acredita que se a sociedade vai bem no transporte, na saúde, na habitação, no emprego... a educação também irá bem. Longe de ser uma escoliasta, minha intenção aqui é divulgar aquilo que considero pertinente para o momento.



É interessante fazer uma releitura:



O mundo atual tem nos apresentado vários desafios e tudo é visto numa abordagem complexa. E preciso pensar numa educação inteirada à outros sistemas.

Precisamos mudar a forma de aprender e de construir conhecimentos e, na atualidade,

o conhecimento é pluralizado é não –linear.

Precisamos também desconstruir o paradigma do pensamento único e eliminar a dicotomia que fragmenta o conhecimento holístico, respeitar a pertinência e pensar na pluralidade de realidades e de razões.



Precisamos mudar a forma de fazer políticas públicas com olhares no século XXI, as políticas publicas dos séculos passados não nos servem mais.

Nossas escolas ainda adotam posturas do século XIX e isso é inaceitável.

Os jovens de hoje têm outras mentalidades, têm outras concepções do que seja um professor e do que sejam conhecimentos.



Precisamos encontrar formas de organizações que não excluam as pessoas mas que cuidem delas; “É preciso saber cuidar” disse Leonardo Boff. “ Vamos cuidar das pessoas” disse João Paulo, atual prefeito de Recife-PE.



Precisamos respeitar a diversidade porque a educação atual vem criando pessoas acéfalas, com valores estranhos à humanidade. Presenciamos acontecimentos que nos deixam boquiabertos, inconcebíveis de aceitá-los como ações de humanos...

Retrocedemos ao século XVIII onde os governantes mandavam enforcar e esquartejar criminosos e traidores, para servir de exemplo, hoje não precisamos mais cometer crimes para sermos decapitados, pois profissionais liberais que juraram salvar vidas e curar pessoas se encarregam dessa truculência, quando não, são adolescente irracionais. Ai, eu costumo dizer que a falta da educação doméstica favorece ao aparecimento de gerações de bárbaros.



Que tipo de sociedade, os governantes pensam para os jovens, em sua grande maioria sem ideais, sem perspectivas, sem esperança e sem sonhos?

Precisamos, portanto mudar a forma de educar e realizar a inclusão social concomitante a inclusão digital.



Precisamos entrar no bom combate à desigualdade de direitos e lutar pela equidade, respeitando as diferenças e não só pensarmos como também fazermos políticas afirmativas e eliminar as discriminações com negros , crianças, idosos, especiais...os marginalizados da sociedade



Tratar igual os desiguais é injusto é preciso respeitar os limites sem depreciar

Precisamos de ações que mudem o mundo opressor

Precisamos mudar os poderes que oprimem

Precisamos fazer uma “ucronia’

O neoliberalismo transformou o mundo num grande mercado onde tudo é medido

e nos reduziu a meros consumidores da produção globalizada;

Ignorou as instituições públicas, os partidos políticos, as associações e os sindicatos.

O neoliberalismo nega o sonho e a utopia, ou seja, não admite que vislumbremos um mundo diferente do estabelecido;

O neoliberalismo não nos admite pensar na ucronia que seria fazer o que ainda não se fez num mundo possível de se viver, fazer diferente com a educação, a saúde, o transporte, a habitação e com o povo.



Os políticos falam muito em mudança, parece até que o que nunca é suficiente ou nunca encontram a forma certa de administrar, mas até agora não justificaram objetivamente essa mudança.



É preciso mostrar o que está por traz da opressão

Precisamos formar cidadãos críticos e não meros reprodutores do sistema de dominação, como se fosse a melhor opção existente.

Precisamos desconstruir essa lógica do imutável, que sustenta a ideologia burguesa desde a acumulação primitiva do capital nos séculos XV e XVI.

Por isso precisamos mudar,

Mudar significa democratizar a educação de qualidade;

Democratizar o conhecimento informacional para que todas as crianças, jovens e adultos tenham acesso público e gratuito.

Mudar significa ainda garantir a formação continuada e em serviços, de professores, para que possam educar com novos olhares entrevendo a auto-sustentabilidade como uma saída para o futuro do cidadão do mundo.



Precisamos reinventar novas formas de poder, novas relações sociais.

Precisamos realizar mudanças e construir novos modelos: econômico- político- social e cultural, para a sobrevivência das categorias oprimidas, uma vez que as novas formas de empregos geram uma sociedade excludente.

Os paradigmas clássicos não têm soluções para os problemas atuais e não têm respostas para as perguntas do século XXI.

Construímos um modelo de civilização que não deu certo, por isso precisamos desconstruir os paradigmas que foram forjados pela sociedade clássica.



Precisamos “mudar o mundo “ disse o Educador Moacir Gadotti, , no VI Congresso da SAPIENS/2007 “não se muda o mundo sem mudar as pessoas”.



E “não é possível mudar o mundo sem tomar o poder.”

sábado, 9 de agosto de 2008

O Menestrel: A alonimia de Verônica

02-07-08 às 18:07h


Há pessoas que criam coisas para nos enganar e Verônica Shoffstall é uma delas. Quando iniciamos a organização da reunião com os diretores, das Escolas Municipais, de Pedras de Fogo-PB, selecionei um vídeo que recebi em uma capacitação do projeto: Formação pela Escola, do governo federal,em Recife no final de 2000.

Preocupada com o conteúdo que iríamos passar aos diretores, resolvi dar mais uma olhada no referido vídeo cujo nome é “O Menestrel.”(poeta medieval...).

Tentando aprofundar o conteúdo do texto fui realizar uma pesquisa sobre Shakespeare e descobri que, em 1971 essa escritora norte-americana escreveu (sic) um poema intitulado “Depois de um tempo,”segundo alguns estudiosos, falseando o texto original de Shakespeare: “Aflter A while.”

Descobri também que, depois de modificado, o referido texto foi usado por um ator chamado Moacir Reis, que valeu-se da alonimia de Verônica para fazer algumas apresentações e criar alguns vídeos.

A escritora não só deu um novo titulo ao texto como criou outra variante distante da realidade da época, atribuindo a sua autoria a William Shakespeare, porém com uma versão mais contemporânea que, de forma bombástica, serviu de propagação entre Internautas.

O falso texto que foi divulgado por vários sites e no You Tube , faz muito sucesso, inclusive quando usado em encontros educacionais,poucos são os que reconhecem a obra como um embuste, com o titulo de “ O Menestrel “ e apesar de ter sido criado pelo autor de Hamlet, Macbeth e Cleopatra., com outra roupagem, o falso texto traz uma filosofia aparente que ajuda a qualquer pessoa a refletir sobre os problemas cotidianos, numa linguagem bem peculiar ao século XXI.

O escrito, realmente, impressiona e o ator Moacir Reis o interpreta como um discurso político filosófico, revendo a personalidade do ser humano e sua mudança de concepção ao deparar-se com o amadurecimento, a partir das experiências vivenciadas no percurso da vida, onde devemos suportar qualquer verdade com resignação.

Não desmerecendo a intenção da autora do falso texto, mas evidenciando a riqueza do maior escritor de todos os tempos que reconhecidamente nos deixou um legado literário de repercussão histórica bastante apreciável.

Quando Harold Bloom escreveu “Sobre Shakespeare, la Invención de lo Humano” suas revelações sobre capacidade literária do autor de Hamlet são reveladoras de uma inteligência ímpar, disse ele:
__” Ningún autor del mundo compite con Shakespeare en la creación aparente de la personalidad, (...) Para catalogar os maiores presentes de Shakespeare é quase absurdo: Onde começar, onde terminar? Escreveu a melhor prosa e a melhor poesia em inglês, ou talvez em toda a língua ocidental. Isto é inseparável de sua força mental; pensou de uma maneira mais inclusiva e mais original do que nenhum outro escritor”.

A partir do estudo aprofundado de Harold pude concluir que a comparação do texto modificado para auto-ajuda à obra shakespereana, chega a ser um pouco burlesco.
Porém, considero positivo o uso da criptonimia para disseminar pensamentos que nos ajudarão no processo de formação de nossa consciência e que farão de nós seres mais humanos.

Mesmo com títulos supostamente falsos e com modificações acintosas, porem atuais e sendo “O menestrel,” “Depois de um tempo”, Aprender ou Aflter A while , vale a pena conferir:


"Um dia você aprende que... realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!"

domingo, 1 de junho de 2008

O Espetáculo continua...

10-05-08 às 12:05h
Minhas crônicas do Portal
www.gramame.com

O caso Isabela Nardoni reflete aquilo que em 1967 foi dito por Guy Debord sobre a sociedade do espetáculo. Espetaculariza-se tudo hoje em dia. Tudo é motivo de noticia até os mais íntimos segredos de um lar torna-se para o mundo achaque sensacional de uma grande manchete, onde cria-se oportunidades tira-se proveito, ou melhor, lucro do objeto posto em exposição.

Isabela é um, dentre milhares de crimes hediondos, ocorridos contra crianças, com uma diferença, esse crime não veio das camadas menos favorecidas, Isabela não é filha de proletários, mas ostenta a égide do brasão burguês. Digo isso porque concomitantemente a esse acontecimento, surge o caso de uma garota enterrada no quintal de sua casa, mas que ninguém deu muita importância. Isso vem ratificar o descaso aviltante que faz a Rede Globo, com os crimes contra as classes econômica e socialmente inferiores.

Mas, por que o caso Isabela está há dias, meses, diariamente na TV? A resposta nos remete a avaliação do que a ideologia positivista de Augusto Conte nos induz: a manutenção da ordem burguesa. É evidente, que fora dessa ordem, devem ser punidos os que ousam afrontá-la. A burguesia tem seu status que não deve ser corrompido. É só nos reportar ao assassinato de Tim Lopes em 2002, jornalista da Rede Globo, que foi esquartejado e queimado, no morro do Alemão no Rio de Janeiro, em pleno exercício da profissão.

Esse é um fato a ser compreendido, no mesmo nível do Caso Isabela Nardoni, ambos mexerem com uma camada social importante, diga-se de passagem, estabelecida; uma pela desestruturação da ordem, e a jornalística é intocável, se essa onda pegasse, os âncoras da TV globo estariam marcados; a outra pela manutenção da família ou seja a moral e os bons costumes devem permanecer, independente de qualquer louco que queira desrespeitar essa resolução.
Não é o crime em si que tem que comover a população brasileira, mas o fato de se constituir num elemento novo, capaz de modificar valores sociais culturalmente construídos.

Mas, o espetáculo continua... O quebra-cabeça foi se constituindo e o público foi se oportunizando, por aqueles que pretendiam ter seus cinco minutos de fama, pelos que pensaram em tirar lucro da trágica situação, pelos que falsificaram, inclusive a sua realidade para justificar a palhaçada fomentada frente às câmeras, os que deram seus recados...convenientemente, os que estavam na simulação do crime, como espectadores ou como expectadores, também simulavam a sua verdade.

Como diz Debord: A "nova realidade" não é nem contemplativa nem objetiva; ela é "falsificação do real(...) "O espetáculo tem os meios de falsificar tanto a produção quanto a percepção.”
“Os meios de comunicação de massa - diz o autor - são apenas a manifestação superficial mais esmagadora da sociedade do espetáculo, que faz do indivíduo um ser infeliz, anônimo e solitário em meio à massa de consumidores".

“O espetáculo se constitui a realidade e a realidade o espetáculo. Já não se tem um limite definido para as coisas.”
Onde começa uma e termina a outra quem diz é a publicidade, o termômetro que valora a notícia, o produto, a imagem. Muitas vezes essa realidade é toscamente confundida... A vida das pessoas está muito exposta, com essa tecnologia invadindo os lares, ficamos diante de um conglomerado de informações desimportantes que vão se acumulando como o lixo do mundo até quando chegar o dia em que não teremos mais espaço para amontoá-los.

Até porque tudo vira lixo: informações, conhecimentos, matérias, natureza, e até pessoas são tratadas como detritos, como é o caso da Isabela que foi despejada pela janela, como coisa que se joga fora, porque não serve mais... “Não se atira uma criança pela Janela...” Disse a doutora Threza Pena Pirme aos professores de Pedras de Fogo-PB. Criança não é objeto que se tem até o dia em que passa a ser um estorvo...muito pela contrário ela é para sempre... pois o que fica dessa vida são apenas os sentimentos que alimentamos uns pelos outros, sejam de nossa família ou não.

Precisamos aprender a envelhecer com nossos filhos, nossos jovens, nossos(as) avós, nossos animais, porque o amor se fortalece na convivência, na interação e ai, inadvertidamente, as pessoas jogam o seu cão na rua ...Como se ele não nutrisse nenhum sentimento pelo seu dono ...Joga sua filha pela janela; sua mãe num asilo, ignorando-a enquanto “ser” que gerou a sua própria família. Aí, faltam as considerações, o respeito, a educação doméstica, as orientações da família, no seu sentido mais completo, da escola, e até da igreja...

Digo até, porque antigamente as pessoas tinham o paradigma: Deus. Temiam os castigos divinos, as crianças iam à Igreja aprender os dez mandamentos... Hoje em dia há um certo distanciamento desse referencial que de uma forma ou de outra servia como parâmetro social...Mas isso é uma historia ambígua, até porque a “Igreja” também fez mau uso do nome de Deus, acarretando muitos descalabros na vida social da Idade Média e Moderna respectivamente.

Mas, hoje a tecnologia vem substituindo o homem, a afetividade, o sentimento, os sentidos como: o olhar, o cheiro, o toque, a presença viva, real... O enclausuramento, seqüela do alto índice de violência, cria uma inquietação nas pessoas, ficamos sem um paradigma mais humanitário. E, sem modelo para seguirmos, bem ou mal, nosso destino nessa nave terra, ficamos a deriva.

E o espetáculo continua... O casal Nardoni, não se intimidou diante da justiça, o que fatalmente não ocorreria com pessoas das classes subalternas, e mesmo sendo presos eles negam ter acometido o crime contra pequenina Isabela. Mas era preciso comover a população, para que o caso ganhasse fama, mesmo com esse glamour internacional os telejornais acreditam que o episódio entrará na fila dos milhares de casos a serem analisados pela justiça. Porém, não é pela ordem (seqüência) que se dá prioridade, mas pela importância. É o caso de elucidar: “a justiça falha, mas não tarda”.

Isabela Nardoni, será mais um caso que cairá no esquecimento do publico e da justiça, como o foi o da atriz Daniela Perez (personagem Yasmin na novela de Gloria Perez, “ De Corpo e Alma)em 1992, que enleada ao mundo real foi assassinada a facadas, pelo brutamontes Guilherme de Pádua ( Bira, personagem da novela) homem alucinado, sem discernimento para separar o real do virtual mistura-se com o personagem e consegue ser odiado pela nação.

O assassinato de Daniela Perez, da maneira bárbara, transforma-se num espetáculo, comparado ao de Isabela Nardoni em que a mídia comove o publico através de sensacionalismos.
Debord em sociedade do espetáculo, diz que “os meios de comunicação de massa criam (...) uma realidade própria para que a sociedade se solidarize e crie novos critérios de julgamento e justiça conforme os seus conceitos manipuladores.”

Essa manipulação de opiniões faz com que a população, sem refletir, faça justiça antes da hora e/ou com as próprias mãos.
Casos como esses, com celebridades e pessoas de classe social abastada são os mais difundidos no meio televisivo. E de forma especial pela Rede Globo.

"Debord diz que o espetáculo consiste na multiplicação de ícones e imagens, principalmente através dos meios de comunicação de massa, mas também dos rituais políticos, religiosos e hábitos de consumo, de tudo aquilo que falta à vida real do homem comum: celebridades, atores, políticos, personalidades, gurus, mensagens publicitárias - tudo transmite uma sensação de permanente aventura, felicidade, grandiosidade e ousadia.”

Longe de protagonizar o grande filosofo Platão, e diante de um mundo sem saída, passo a crer que vivemos numa caverna e, sendo o lugar mais seguro, só sairemos dela para uma outra menos segura ainda, porque o desconhecido amedronta, mas precisamos nos desprender das ramas alienantes, que nos restringe a um espaço circunscrito. A terra tornou-se pequena demais para o ser humano. E nós somos protagonistas de nós mesmos.

O caso acabou, mas o espetáculo continua...

transdisciplinaridade

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