quinta-feira, 8 de novembro de 2012

O FLAGELO DA FOME

No período da campanha eleitoral, resolvi fazer um porta-a-porta e em dessas visitas descobri que o índice da fome em nossa cidade ainda é assustador. Não se admite mais num mundo globalizado, multiculturalizado,interculturalizado,informatizado, automatizado, hiperespecializado, com uma economia mundializada,um ser humano passar fome ou mesmo morrer de inanição. Por coincidência ou não, procurando renovar minhas comunidades, descobri algumas delas que se preocupam com o fenômeno fazendo o seguinte questionamento: você se preocupa? Ou ainda: a deficiência está no coração ou apresenta uma foto de uma criança magérrima ( só os ossos) e uma pergunta: por que você reclama da vida? Descobri também que o flagelo da fome atinge mais de 777 milhões de pessoas nos paises em desenvolvimento e que a cada 3,5 segundos morre um ser humano de fome no mundo. Depois de Josué de Castro mostrar ao mundo que o que sustenta o subdesenvolvimento nos paises ou em outro lugar qualquer é a manutenção da miséria e que a fome não é uma fenômeno social mas político. Aquele adágio ... “cego é aquele que não quer ver,” poderíamos considerar a cegueira generalizada quando o assunto é miséria absoluta, pauta rara entre os que fazem política no cotidiano de uma nação, mas que em vésperas de eleições são pratos cheios que enriquecem as plataformas dos candidatos. Coincidentemente, enriquecem também os seus bolsos. Acho que Maquiavel deve ter dito: mantenham o povo na miséria para quando precisar dele não dar tudo ainda , mas apenas algumas migalhas caídas do seu pão e só assim, ele irá lhe agradecer o resto de sua vida, mas será mantido na miséria e servirá como um exercito de reserva. Na pobreza dos desalmados é de surpreender o grau de benevolência, mas quando o miserável tomar conhecimento de que a sua condição não é obra divina,mas humana, ele deixará de negociar a sua miséria. É lamentável que isso esteja muito longe. Enquanto isso, crianças morrem de inanição. E vergonhosamente abrimos nossas bocas para falar de uma vontade popular. Eu vi a miséria de perto e ela estava quase morta, sem forças para lutar para gritar a sua dor, sem ânimo para viver, sem esperanças nos homens; eu vi a miséria de perto e não acreditei no que meus olhos enxergaram.Casas caindo, sem absolutamente nada para comer ou como comer, sem forças para pedir nas ruas, a expressão da vergonha aviltante, esconde-se os rostos do resto do mundo, para não mostrar a cara ossuda, não de regime, mas de fome.

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